sábado, 7 de março de 2009

Surfe: esporte, estilo de vida, ou vício?

Pergunte isso para um surfista e ele vai te responder "Os três!".

Mais do que isso, o surfe é uma forma de lazer para as pessoas que assim como gostam de esportes, gostam de estar em contato com a natureza.

Uma religião, terapia, o surfe age na cabeça e alma, de forma que o surfista se transforma após um banho, provas disso, são as diferentes loucuras que os praticantes deste esporte fazem para conseguir ao menos por algumas horas, ficar dentro do mar e pegar nem que seja uma onda. Não importa ao surfista que estas horas de prazer sejam muito menores do que as de viagem que antecederam o tão esperado momento de entrar na água, até porque com o amor pelo surfe, gostamos de viajar buscando o nosso momento de relax.

Desde bate-volta, onde se vai pela manhã bem cedo e retorna depois do banho, a feriados onde se passa mais tempo dentro do carro viajando do que surfando, ou até em finais de semana em pleno inverno, dormindo dentro de uma barraca, abraçado com a namorada para não passar frio.

Dirigir durante uma noite inteira para chegar ao local do surfe, chegar na casa onde a galera vai ficar e arrumar tudo é tranquilo para a maioria dos seres humanos, mas depois disso tudo tomar um café e sem dormir por mais de 24 horas ir direto para a praia para surfar por 2 horas como se tivesse descansado por dias, não é para qualquer um. Afinal depois do almoço não se pode surfar, então no período da digestão e durante a noite a gente dorme.

Estas "indiadas" para os não-praticantes deste esporte parecem loucura, mas se praticadas ou contadas para um "surfista maluco", estas histórias serão perfeitas, ou no mínimo interessantes, desde que, durante o sacrifício as ondas tenham cooperado.

O tamanho da "indiada" depende dos recursos disponíveis no local da trip, bem como a grana disponível para o momento, mas como todo bom brasileiro, sempre se dá um jeito. Leva-se desde a comida para todo o tempo fora de casa, até papel higiênico, sal, vinagre, o que for necessário e possível de acomodar nos espaços disponíveis no carro, depois de guardados os equipamentos de surfe, é claro!


Fotos, vídeos e lembranças destes momentos são constantemente assunto de conversas entre os participantes da trip, ou praticantes do surfe, que as tem como troféus e páginas interessantes e boas da sua vida.



O que um surfista busca nas trips, não é comodidade, mas sim ondas ainda não surfadas, ou aquela onda que de alguma forma, no passado quando surfada, gerou uma espécie de vício ou adoração por parte do surfista.


Parcerias para este tipo de "loucura" sempre se acha, desde que combinada com antecedência e planejamento a diversão é certa.

Enfim na praia!


As ondas estão rolando! Já começa a ansiedade para entrar logo no mar e pegar umas boas ondas, o stress da semana já está sendo esquecido.
A gurizada começa com a correria na preparação para o surfe, passar a parafina na prancha, colocar o lesh no copinho, e ver se está tudo certo com a "bóia" para evitar "dar o banho" com algum buraco na prancha.
Água boa? Bom, então, enche o rosto e os ombros de protetor solar e pronto. Água fria? Pega a sacola plástica para facilitar a vida na colocação do long, não esquece do protetor no rosto.
Chegando na beira da praia começa a análise mais detalhada do mar para ver onde estão rolando as melhores ondas e onde vamos entrar. Alongamento é bom para evitar lesões e cãimbras dentro da água e acabar prejudicando o banho.
O primeiro contato com a água do mar já traz a paz, alívio e a recompensa pela semana inteira de espera por este momento. Pronto agora é só remar, varar a rebentação e, enfim, pegar as ondas.
A gurizada "faceira da vida" começa a se atirar nas ondas e a cada boa onda a galera grita incentivando os amigos e parceiros de surfe, entre uma onda e outra os semblantes podem ser vistos e nota-se que estão todos felizes e aliviados. Brincadeiras, gritos e até cantar desde pagode, MPB, até serteneja, mesmo que ninguém goste, mas qual o problema?
Depois de várias ondas, muitas remadas e joelhinhos, e claro, algumas "vacas" a galera está de "cabeça feita" e morrendo de fome, já se começa a pensar no almoço.
Chegando em casa, a galera vai tomar uma ducha para tirar o sal e começa a agilizar a comida, cada um pega uma coisa para fazer, um já toma conta do indispensável chimarrão, tudo isso para que o almoço fique pronto logo, sempre embalados por um reggae.
Quando as panelas chegam à mesa, aí sim as criaturas se transformam, parecem que nunca tinham visto comida. Depois de um bom tempo e algumas repetições de prato a galera fica "triste". Os que não ajudaram a fazer o almoço cuidam da louça, enquanto outro passa o café e os outros já se atiram em qualquer canto para deitar ou ao menos sentar.
Depois de cuidar da louça, tomar o cafézinho, começa a bater aquela preguiça. Alguns vão para a cama, outros deitam em qualquer lugar com sombra para descansar, pois daqui umas 2 horas começa tudo de novo.
Depois de descansar por alguns minutos ou horas, a vontade de ir para a água começa a bater novamente.
Levantou com fome ou preguiça? Come alguma coisa ou toma outro café e começa a te preparar!
Verificadas as condições de surfe, começa a rotina de preparação, muito surfe e depois de umas 2 horas, chega a galera com fome e vai para a preparação da janta.
Depois da janta, muito chimarrão e conversa, até bater o sono e chegar a hora do tão merecido descanso, para acordar cedo no domingo e curtir o dia.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A semana de um surfista longe do mar


Segunda-feira, ainda com o nível de stress baixo, devido ao final de semana curtido à base de surf. O dia começa tranquilo, mas já nas primeiras horas bate a vontade de ver a condições do surf para quem está ou mora no litoral.

Os amigos que trabalham em frente ao computador e tem acesso a e-mail, por mera coincidência ou telepatia, enviam um e-mail falando das condições do mar, ou, neste e-mail escrevem exatamente o que tu pensou "bah, na praia devem estar rolando altas ondas" ou "bah, mal voltei da praia e já não aguento mais".

Praticamente juntos verificam as condições do mar, respondem o e-mail com exclamações do tipo: "bah, que merda, na praia rolando altas ondas e eu aqui neste inferno de cidade" ou "bah, ao menos o mar não está tão bom assim", mas às vezes, mesmo quando as condições não são as melhores alguns contém frases como "mesmo com esse mar ruim preferia estar na praia, nem que seja só para sentir a brisa".

Terça-feira, o nível de stress começa a aumentar, os e-mails de segunda são praticamente repetidos e a programação da "praia" para o final de semana começa.

Quarta, bah, faltam só mais dois dias e não aguento mais ficar aqui, meu nível de stress está alto, mas não posso enlouquecer antes de sexta.

Quinta, mais uma verificada nas condições do mar e previsão para o final de semana. Data limite para o planejamento da "praia" e confirmação dos que vão embarcar, bem como, onde vamos ficar, no carro de quem vamos, etc...

Sexta, bah até que enfim... Olhamos as condições do mar, previsão para o final de semana, passamos o dia pensando no que levar para a praia, mesmo que sejam basicamente sempre as mesmas coisas, "bah, só não posso esquecer o long, prancha, lycra, leash, parafina, raspador e o resto(roupas, cuecas, etc...)". O dia de trabalho parece se arrastar, o nível de stress está deixando o cara sem paciência para nada e ainda depois do trabalho tenho que ir para a faculdade.

Chegada a tão esperada hora de colocar as coisas no carro, passar no posto de gasolina para abastecer, calibrar os pneus e até que enfim ir para a praia. No carro a gurizada começa o racha da gasolina, pedágio e contar como foi a semana e o martírio de esperar ela passar para chegar a hora de viajar, acordar no sábado bem cedo para cair na água.

Sábado, a gurizada acorda cedo, enquanto o café está sendo passado, uns vão até a beira da praia para ver como estão as ondas, a mesa farta para encher a barriga e fazer a reserva de energia para garantir no mínimo 2 horas de surfe. Depois do café enquanto uns cuidam da louça, os outros já vão se preparando para o tão esperado banho.