A melhor coisa para quem está iniciando a vida no surfe é ter algum amigo que já pratique o esporte há mais tempo, que possa passar as dicas sobre o mar, joelhinho, remada e entrada de onda. Mas quando não temos amigos que surfem e não podemos fazer algum curso, a solução é o cara se virar, entrar no mar sempre onde tem mais alguém surfando por perto e observar.
Devemos observar a remada, que pode melhorar de acordo com o movimento dos braços dentro da água, posição do surfista em cima da prancha e equilíbrio.
Para a remada render devemos ter os seguintes cuidados:
- A prancha deve ser compatível com o nível do surfista, bem como, sua altura e peso.
- Ao deitar para remar, o surfista deve esticar o braço ao longo da prancha e o bico dela deve ficar na ponta dos dedos, ou passar.
- As pernas durante o movimento de remada devem ficar juntas e levemente erguidas, facilitando o equilíbrio.
- No movimento com os braços devemos cuidar para não levantá-los demais e assim acabar cansando as costas e ombros.
- Na remada devemos estender o braço até o bico da prancha e remar fundo, o movimento do braço deve ser da mesma forma que os nadadores fazem.
- Ao remar para varar a rebentação devemos dosar nossas forças, a fim de não utilizarmos as nossas energias no momento errado, dentro do buraco deve-se remar levemente para avançar e guardar as forças para quando estiver chegando onde as ondas estão quebrando, podemos dar aquele gás no intervalo da série e enfim varar.
Devemos observar o momento de entrada de onda, evitando fadigar os músculos com remadas em ondas ruins, ou quando ainda não é a hora de tentar pegá-la.
No início da prática do surfe, o mais comum para os iniciantes é a embicada, que acontece quando o surfista mal posicionado na onda desce a parede antes de finalizar o drop. Para evitá-lo devemos perceber o momento exato de entrada de onda, bem como quando a onda está muito cavada, durante o movimento de drop, forçar com o pé da rabeta para mantê-la com o bico na posição horizontal.
O joelhinho tende a melhorar com a prática, cada vez mais ajudando o surfista a varar o mar e se safar de umas boas. O importante para um joelhinho eficiente é não deixar a onda tocar as costas do surfista e evitar subir à superfície ante s do tempo e ser arrastado.
Com o tempo e prática estes “recursos” são aperfeiçoados e se tornam fáceis e muito úteis.
No início a remada parece não render, e quando estamos cansados, para ajudar, o joelhinho é ruim, o que dificulta muito para se conseguir varar.
sábado, 14 de março de 2009
Iniciando a vida no Surf - Parte II
Passado o verão, com os novos amigos e parceiros de surfe, começamos a ir para a praia no outono.
Praia deserta, as casinhas de salva-vidas vazias, ventos fortes de sul, que deixavam as ondas gigantes e assustadoras.
A beira da praia é frequentada por muitos animais como gaivotas, cachorros e outras diversas espécies de aves.
Nesta época do ano devemos ter muita atenção por causa das redes, então, identificar a força e direção da corrente, bem como caminhar na beira da praia para ver onde estão as redes para evitarmos acidentes, são verificações necessárias para a nossa segurança.
No primeiro banho, já se nota a diferença na água do mar também, muito fria, sem roupa adequada, como um long no caso deste dia, não se consegue ficar dentro do mar por mais de 10 minutos.
Em alguns dias dependendo da temperatura da água, o primeiro contato dos pés e mãos com ela são horríveis, as juntas parecem que estão sendo esmagadas, e doem muito por causa do frio, mas depois de alguns minutos e algumas remadas a sensação diminui.
Varar o mar fica um pouco mais fácil, mas as vacas se tornaram mais assustadoras devido ao tamanho das ondas e o fato de estarmos sozinhos na praia, no caso de um acidente dependemos apenas dos amigos para o socorro. Depois do desafio de varar o mar ser vencido, a gurizada descansa um pouco e começa a se "atirar" nas ondas. Em dias assim cada joelhinho certo que nos "safa" de uma vaca gigante é vibrado.
Depois de algumas ondas e muitas vacas, pela primeira vez coloco em dúvida o quanto vale praticar este esporte. Depois de aproximadamente uma hora de banho e nos distrairmos, enxergamos uma rede de pesca há uns 30 metros de onde estávamos e a corrente forte nos puxava na direção dela. Remando dentro do buraco, os braços cansados pouco ajudam, a adrenalina sobe, o pessoal começa a avisar para todos ficarem juntos para no caso de acontecer algo a ajuda ser rápida. As ondas não ajudavam muito pois quebravam no banco de areia, sabíamos que pegando uma onda estaríamos salvos do perigo. Várias ondas se passaram, meus braços, ombros e costas doíam muito e as minhas remadas de nada ajudavam, quando me questionei: "O que estou fazendo aqui dentro do mar? Por que inventei de surfar?". No fim depois de muito esforço saimos do mar sem problemas, mas as marcas desta "luta" são sentidas nos músculos até o dia seguinte.
Nestas horas o importante é manter a calma e remar sem parar, utilizar a ondulação das ondas se formando para avançar, até conseguir pegar uma onda e enfim sair do mar.
Sempre quando se está iniciando a vida no surfe nos questionamos sobre valer à pena ou não surfar, mas como a maioria de nós humanos gostamos de um desafio, esta dúvida dura por pouco tempo.
Praia deserta, as casinhas de salva-vidas vazias, ventos fortes de sul, que deixavam as ondas gigantes e assustadoras.
A beira da praia é frequentada por muitos animais como gaivotas, cachorros e outras diversas espécies de aves.
Nesta época do ano devemos ter muita atenção por causa das redes, então, identificar a força e direção da corrente, bem como caminhar na beira da praia para ver onde estão as redes para evitarmos acidentes, são verificações necessárias para a nossa segurança.
No primeiro banho, já se nota a diferença na água do mar também, muito fria, sem roupa adequada, como um long no caso deste dia, não se consegue ficar dentro do mar por mais de 10 minutos.
Em alguns dias dependendo da temperatura da água, o primeiro contato dos pés e mãos com ela são horríveis, as juntas parecem que estão sendo esmagadas, e doem muito por causa do frio, mas depois de alguns minutos e algumas remadas a sensação diminui.
Varar o mar fica um pouco mais fácil, mas as vacas se tornaram mais assustadoras devido ao tamanho das ondas e o fato de estarmos sozinhos na praia, no caso de um acidente dependemos apenas dos amigos para o socorro. Depois do desafio de varar o mar ser vencido, a gurizada descansa um pouco e começa a se "atirar" nas ondas. Em dias assim cada joelhinho certo que nos "safa" de uma vaca gigante é vibrado.
Depois de algumas ondas e muitas vacas, pela primeira vez coloco em dúvida o quanto vale praticar este esporte. Depois de aproximadamente uma hora de banho e nos distrairmos, enxergamos uma rede de pesca há uns 30 metros de onde estávamos e a corrente forte nos puxava na direção dela. Remando dentro do buraco, os braços cansados pouco ajudam, a adrenalina sobe, o pessoal começa a avisar para todos ficarem juntos para no caso de acontecer algo a ajuda ser rápida. As ondas não ajudavam muito pois quebravam no banco de areia, sabíamos que pegando uma onda estaríamos salvos do perigo. Várias ondas se passaram, meus braços, ombros e costas doíam muito e as minhas remadas de nada ajudavam, quando me questionei: "O que estou fazendo aqui dentro do mar? Por que inventei de surfar?". No fim depois de muito esforço saimos do mar sem problemas, mas as marcas desta "luta" são sentidas nos músculos até o dia seguinte.
Nestas horas o importante é manter a calma e remar sem parar, utilizar a ondulação das ondas se formando para avançar, até conseguir pegar uma onda e enfim sair do mar.
Sempre quando se está iniciando a vida no surfe nos questionamos sobre valer à pena ou não surfar, mas como a maioria de nós humanos gostamos de um desafio, esta dúvida dura por pouco tempo.
Iniciando a vida no Surf - Parte I
Quando adolescente, por gostar do mar, despertei meu interesse pelo surfe. Assistia vídeos, lia revistas e me imaginava pegando as ondas perfeitas neles mostradas.
As capas dos meus cadernos do final do ensino fundamental e durante o ensino médio eram todas personalizadas, com recortes de revistas e desenhos por mim feitos.
Durante as aulas chatas eu ficava desenhando ondas e os símbolos das melhores marcas de roupas e equipamentos de surfe. Algumas vezes até competia com os colegas que curtiam surfe, para ver que fazia o desenho mais legal.
Mas duas coisas ainda me faltavam: Uma prancha e alguém que me acompanhe neste novo desafio, pois sabia dos riscos de entrar no mar sozinho, ainda mais quando se está aprendendo.
Comprei uma prancha de um amigo, usada, mas em boas condições e por um preço muito bom, mas ela era muito rápida e pesada para a remada, horrível para quem estava aprendendo.
Meus primeiros banhos foram com um amigo que passou junto comigo, parte do verão na casa do meu avô. Por sorte pegamos dias ótimos para um iniciante, com ondas boas e mar calmo, fácil de varar. Peguei minha primeira onda no terceiro dia, ela fechou rápido, mas a sensação de pegar aquela onda foi maravilhosa, ainda mais depois de muitas vacas e goles de água.
Uns dias depois, jogando futebol, no campo ao lado de casa, fiz amizade com uma gurizada que surfava, todos muito parceiros. Eles apareceram por lá e perguntaram se podiam jogar futebol com a gente. Depois de algumas partidas, o pessoal começou a se mobilizar para o surfe, me perguntaram se eu surfava e se eu era parceiro para dar o banho. Pronto agora não falta mais nada!
Nos banhos seguintes o mar não foi mais tão generoso, como nos dias anteriores. Ainda pequeno, mas com influência de nordeste, as ondas quebravam com intervalos muito pequenos, o mar mexido dificultava a remada. A cada banho um novo sufoco para varar, muitas ondas na cabeça, joelhinhos errados, vacas e muitos goles de água.
Depois de muita insistência consegui varar o mar, mas quando isso aconteceu, quase já não conseguia erguer os braços para remar, mas só de estar lá dentro do mar já me sentia feliz.
Nos dias seguintes a rotina se repetiu, futebol, surfe, vacas e nada de onda, mas conseguir varar, trazia o sentimento de satisfação.
As imagens vistas e situações presenciadas dentro do mar são indescritíveis. A cada dia que varava o mar e via as ondas, pôr-do-sol e a praia de um ângulo diferente, me apaixonava por este esporte.
O verão se passou, neste tempo consegui pegar mais umas duas ondas, mas já me sentia um surfista, não que eu quebrasse a vala, mas já tinha me tornado "dependente" deste esporte.
As capas dos meus cadernos do final do ensino fundamental e durante o ensino médio eram todas personalizadas, com recortes de revistas e desenhos por mim feitos.
Durante as aulas chatas eu ficava desenhando ondas e os símbolos das melhores marcas de roupas e equipamentos de surfe. Algumas vezes até competia com os colegas que curtiam surfe, para ver que fazia o desenho mais legal.
Mas duas coisas ainda me faltavam: Uma prancha e alguém que me acompanhe neste novo desafio, pois sabia dos riscos de entrar no mar sozinho, ainda mais quando se está aprendendo.
Comprei uma prancha de um amigo, usada, mas em boas condições e por um preço muito bom, mas ela era muito rápida e pesada para a remada, horrível para quem estava aprendendo.
Meus primeiros banhos foram com um amigo que passou junto comigo, parte do verão na casa do meu avô. Por sorte pegamos dias ótimos para um iniciante, com ondas boas e mar calmo, fácil de varar. Peguei minha primeira onda no terceiro dia, ela fechou rápido, mas a sensação de pegar aquela onda foi maravilhosa, ainda mais depois de muitas vacas e goles de água.
Uns dias depois, jogando futebol, no campo ao lado de casa, fiz amizade com uma gurizada que surfava, todos muito parceiros. Eles apareceram por lá e perguntaram se podiam jogar futebol com a gente. Depois de algumas partidas, o pessoal começou a se mobilizar para o surfe, me perguntaram se eu surfava e se eu era parceiro para dar o banho. Pronto agora não falta mais nada!
Nos banhos seguintes o mar não foi mais tão generoso, como nos dias anteriores. Ainda pequeno, mas com influência de nordeste, as ondas quebravam com intervalos muito pequenos, o mar mexido dificultava a remada. A cada banho um novo sufoco para varar, muitas ondas na cabeça, joelhinhos errados, vacas e muitos goles de água.
Depois de muita insistência consegui varar o mar, mas quando isso aconteceu, quase já não conseguia erguer os braços para remar, mas só de estar lá dentro do mar já me sentia feliz.
Nos dias seguintes a rotina se repetiu, futebol, surfe, vacas e nada de onda, mas conseguir varar, trazia o sentimento de satisfação.
As imagens vistas e situações presenciadas dentro do mar são indescritíveis. A cada dia que varava o mar e via as ondas, pôr-do-sol e a praia de um ângulo diferente, me apaixonava por este esporte.
O verão se passou, neste tempo consegui pegar mais umas duas ondas, mas já me sentia um surfista, não que eu quebrasse a vala, mas já tinha me tornado "dependente" deste esporte.
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