Passado o verão, com os novos amigos e parceiros de surfe, começamos a ir para a praia no outono.
Praia deserta, as casinhas de salva-vidas vazias, ventos fortes de sul, que deixavam as ondas gigantes e assustadoras.
A beira da praia é frequentada por muitos animais como gaivotas, cachorros e outras diversas espécies de aves.
Nesta época do ano devemos ter muita atenção por causa das redes, então, identificar a força e direção da corrente, bem como caminhar na beira da praia para ver onde estão as redes para evitarmos acidentes, são verificações necessárias para a nossa segurança.
No primeiro banho, já se nota a diferença na água do mar também, muito fria, sem roupa adequada, como um long no caso deste dia, não se consegue ficar dentro do mar por mais de 10 minutos.
Em alguns dias dependendo da temperatura da água, o primeiro contato dos pés e mãos com ela são horríveis, as juntas parecem que estão sendo esmagadas, e doem muito por causa do frio, mas depois de alguns minutos e algumas remadas a sensação diminui.
Varar o mar fica um pouco mais fácil, mas as vacas se tornaram mais assustadoras devido ao tamanho das ondas e o fato de estarmos sozinhos na praia, no caso de um acidente dependemos apenas dos amigos para o socorro. Depois do desafio de varar o mar ser vencido, a gurizada descansa um pouco e começa a se "atirar" nas ondas. Em dias assim cada joelhinho certo que nos "safa" de uma vaca gigante é vibrado.
Depois de algumas ondas e muitas vacas, pela primeira vez coloco em dúvida o quanto vale praticar este esporte. Depois de aproximadamente uma hora de banho e nos distrairmos, enxergamos uma rede de pesca há uns 30 metros de onde estávamos e a corrente forte nos puxava na direção dela. Remando dentro do buraco, os braços cansados pouco ajudam, a adrenalina sobe, o pessoal começa a avisar para todos ficarem juntos para no caso de acontecer algo a ajuda ser rápida. As ondas não ajudavam muito pois quebravam no banco de areia, sabíamos que pegando uma onda estaríamos salvos do perigo. Várias ondas se passaram, meus braços, ombros e costas doíam muito e as minhas remadas de nada ajudavam, quando me questionei: "O que estou fazendo aqui dentro do mar? Por que inventei de surfar?". No fim depois de muito esforço saimos do mar sem problemas, mas as marcas desta "luta" são sentidas nos músculos até o dia seguinte.
Nestas horas o importante é manter a calma e remar sem parar, utilizar a ondulação das ondas se formando para avançar, até conseguir pegar uma onda e enfim sair do mar.
Sempre quando se está iniciando a vida no surfe nos questionamos sobre valer à pena ou não surfar, mas como a maioria de nós humanos gostamos de um desafio, esta dúvida dura por pouco tempo.
sábado, 14 de março de 2009
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